Lágrimas -
Chorar faz parte da vida. As lágrimas nos ajudam a colocar a emoção para fora e limpar o coração, tantas vezes apertado pelas mágoas, tristezas, ansiedades. Cada lágrima escorrida é como um peso a menos em nossos ombros.
Mas não choramos só de tristeza. Choramos de alegria, de raiva, de remorso, de desapontamento, de saudade. Choramos por querer quem não temos mais; choramos ao termos concluído um trabalho difícil; choramos quando nos machucamos, física ou emocionalmente; choramos ao encontrarmos aquilo que buscávamos; choramos de agradecimento; choramos quando esperamos mais do que os outros são capazes de nos dar; choramos ao reencontrar um ser amado.
E como nós choramos! Alguns mais, outros menos. Há pessoas, que após um sério acontecimento da vida, deixam de chorar. Fecham-se no seu mundinho e seguram as emoções no canto mais profundo da memória. Se elas são fortes? Não, nem um pouco. Essas são as mais fracas, pois não têm nem coragem de encarar as próprias decepções e assumir o que sentem. Essas pessoas decidiram que, para conseguir suportar a vida, precisam parecer fortes para os outros. Mas tenha certeza: elas sabem exatamente o tamanho dos seus medos, das suas limitações e das suas fraquezas.
Até porque, chorar não é sinal de fraqueza – nem nunca foi! Aqueles pais machistas que dizem aos filhos: “chorar é coisa de mulher, seja forte!”, não sabem o mal que estão fazendo. Chorar significa estarmos abertos para o mundo e permitirmos que determinadas pessoas especiais conheçam quem somos de verdade e o que se passa em nosso coração.
As lágrimas podem ser tão bonitas. Podem demonstrar sensibilidade, empatia, compaixão. Podem ser uma grande prece, mais significativas do que muitas palavras decoradas. Podem ser também o escape de um sentimento egoísta, como a raiva, ou o ciúme. Mas só o fato de derramá-las já é um grande passo para estes, pois significam arrependimento.
Chore sempre. Chore com verdade. Chore com ou sem motivo. Mas não se perca em suas próprias lágrimas, porque chorar demais pode levar à depressão. Aprenda a ter equilíbrio - chore quando precisar, sorria a maior parte do tempo e dê risadas das piadas e dos enganos da vida.
Lembre-se: uma lágrima pode libertar um coração e um sorriso pode acordá-lo para a vida. Não deixe de chorar jamais. E corra sempre, sempre, em busca da sua felicidade.
Ah... Quando estiver feliz também pode chorar, viu!
6.12.05
22.10.05
Começar de novo... -
Nossa vida acontece em ciclos. Temos altos e baixos, solidão e paixão, alegrias e tristezas, empregos e desemprego, estudos e crescimento pessoal. Em alguns momentos, parece que estamos começando do zero: mudamos de trabalho, de amigos, de companheiro, até de cidade. E por vezes, esses fatores vêm todos juntos. E como é difícil recomeçar e só contar conosco mesmos.
A gente fraqueja, chora, quer desistir. A gente pede ajuda, reza, grita. A gente sai do lugar, faz diferente, dá novos passos. E como a gente aprende!
Ivan Lins escreveu uma música que traduz de um jeito impressionante o sentimento daqueles que têm que recomeçar. Vou transcrever a primeira parte da música, pois sei que muitos se sentem exatamente assim e precisam de muito estímulo para conseguir acordar a cada novo dia. “Começar de novo e contar comigo; vai valer a pena ter amanhecido; ter me rebelado, ter me debatido; ter me machucado, ter sobrevivido; ter virado a mesa, ter me conhecido; ter virado o barco, ter me socorrido (...)”.
Cada novo ciclo da vida exige de nós mudanças. Exige compreender o que passou, aceitar as perdas, conhecer nossas reais necessidades, amadurecer. Muitas vezes precisamos de um tempo parados para refletir e ter condições físicas e mentais para começar uma vida nova - precisamos estar prontos para isso.
Vale chorar; vale querer desistir; vale caluniar o outro; vale se isolar do mundo; vale “chutar o balde”. Mas só vale na hora, naquele momento em que a bomba explode e o nosso mundinho desaba. Depois, não vale mais. Depois, vale lutar; vale querer uma vida melhor; vale perdoar; vale acreditar que a força para recomeçar está dentro de nós mesmos.
É... a força para recomeçar está dentro de nós! Precisamos arrumar uma maneira de encontrá-la e seguir em frente.
Voltemos às músicas. Maria Rita regravou uma canção de Milton Nascimento. Outra música profunda, que diz mais nas entrelinhas do que podemos ouvir. Parte dela diz: “e assim, chegar e partir são só dois lados da mesma viagem. O trem que chega é o mesmo trem da partida. A hora do encontro é também despedida. A plataforma dessa estação é a vida (...)”.
E esses são os recomeços: fins e inícios, encontros e desencontros. Para chegarmos a algum lugar, precisamos sair de onde estávamos. Muitas coisas que parecem essenciais hoje, representarão nada amanhã. Ou você nunca olhou para trás e se achou bobo por dar tanto valor a algo? Acho que isso diz tudo. A felicidade exige que abramos mão de algumas coisas. Muitas vezes dói, muitas vezes queremos desistir. Mas saber recomeçar é saber que a felicidade se constrói a cada minuto, a cada reencontro conosco mesmos, a cada novo começo.
Nossa vida acontece em ciclos. Temos altos e baixos, solidão e paixão, alegrias e tristezas, empregos e desemprego, estudos e crescimento pessoal. Em alguns momentos, parece que estamos começando do zero: mudamos de trabalho, de amigos, de companheiro, até de cidade. E por vezes, esses fatores vêm todos juntos. E como é difícil recomeçar e só contar conosco mesmos.
A gente fraqueja, chora, quer desistir. A gente pede ajuda, reza, grita. A gente sai do lugar, faz diferente, dá novos passos. E como a gente aprende!
Ivan Lins escreveu uma música que traduz de um jeito impressionante o sentimento daqueles que têm que recomeçar. Vou transcrever a primeira parte da música, pois sei que muitos se sentem exatamente assim e precisam de muito estímulo para conseguir acordar a cada novo dia. “Começar de novo e contar comigo; vai valer a pena ter amanhecido; ter me rebelado, ter me debatido; ter me machucado, ter sobrevivido; ter virado a mesa, ter me conhecido; ter virado o barco, ter me socorrido (...)”.
Cada novo ciclo da vida exige de nós mudanças. Exige compreender o que passou, aceitar as perdas, conhecer nossas reais necessidades, amadurecer. Muitas vezes precisamos de um tempo parados para refletir e ter condições físicas e mentais para começar uma vida nova - precisamos estar prontos para isso.
Vale chorar; vale querer desistir; vale caluniar o outro; vale se isolar do mundo; vale “chutar o balde”. Mas só vale na hora, naquele momento em que a bomba explode e o nosso mundinho desaba. Depois, não vale mais. Depois, vale lutar; vale querer uma vida melhor; vale perdoar; vale acreditar que a força para recomeçar está dentro de nós mesmos.
É... a força para recomeçar está dentro de nós! Precisamos arrumar uma maneira de encontrá-la e seguir em frente.
Voltemos às músicas. Maria Rita regravou uma canção de Milton Nascimento. Outra música profunda, que diz mais nas entrelinhas do que podemos ouvir. Parte dela diz: “e assim, chegar e partir são só dois lados da mesma viagem. O trem que chega é o mesmo trem da partida. A hora do encontro é também despedida. A plataforma dessa estação é a vida (...)”.
E esses são os recomeços: fins e inícios, encontros e desencontros. Para chegarmos a algum lugar, precisamos sair de onde estávamos. Muitas coisas que parecem essenciais hoje, representarão nada amanhã. Ou você nunca olhou para trás e se achou bobo por dar tanto valor a algo? Acho que isso diz tudo. A felicidade exige que abramos mão de algumas coisas. Muitas vezes dói, muitas vezes queremos desistir. Mas saber recomeçar é saber que a felicidade se constrói a cada minuto, a cada reencontro conosco mesmos, a cada novo começo.
15.10.05
Ai! Que ódio! -
Um dos piores sentimentos que existem é a raiva. Quando nos sentimos irados despejamos uma carga gigantesca de hormônios no nosso organismo, que nos deixa tensos, com os batimentos cardíacos acelerados, pressão sanguínea aumentada (literalmente a conhecida expressão: “o sangue sobe pra cabeça!”), além de inibir o lado racional do cérebro que nos permite pensar antes de agir.
Mas lidar com a raiva é um processo de paciência e perseverança. Começa em conseguir perceber a posição, os argumentos e as razões do outro. Compreendendo o outro, por mais que ele não tenha razão, paramos para pensar e conseguimos diminuir a intensidade do sentimento.
Depois, temos que aprender – sim! – a contar até dez, vinte, trinta, cem, se preciso. Respirar fundo e nos acalmarmos, antes de dizer algo ou reagir. Isso evita desgastes desnecessários de energia, brigas, discussões, mal entendidos. Dar tempo para a dosagem de hormônios não subir, ou mesmo diminuir, nos dá condições de responder de forma mais racional e moderada.
A raiva não nos ajuda a mudar o modo de pensar do outro, não nos ajuda a “dar uma lição” em ninguém, não permite que argumentemos com lucidez, não funciona nem como vingança. A raiva só atinge a nós mesmos. Só nós saímos do sério, prejudicamos nosso organismo, ficamos magoados. Só nós perdemos.
Uma das parábolas de Jesus, que já virou estória infantil, serve bem como ilustração. Vou contá-la, resumidamente, com minhas palavras: “quando um menino chegou em casa com muita raiva de um amigo da escola e disse para seu pai o quanto estava com ódio, o pai lhe deu um saco de carvão e pediu que atirasse num pano estendido no quintal. Após acabar com todo o carvão, o pai perguntou ao filho se estava mais aliviado. Ele respondeu que sim. Então, o pai pediu que olhasse para o pano à sua frente. O menino notou que não havia acertado todas as pedras no pano e que ele estava apenas um pouco manchado. Depois olhou para si mesmo e percebeu que estava inteiramente enegrecido pelos restos que nele caíam e pela fuligem que se espalhou por todo o seu corpo”. Acho que não preciso explicar a moral da história.
Pensamentos negativos só atraem energias negativas. Raiva só resulta em ressentimento e mágoas. Já o perdão e a compreensão têm como efeito o entendimento, o amor, o crescimento mútuo.
Como é bom, no momento em que a raiva começa a surgir, conseguir olhar para o outro e perceber que ele ainda não consegue agir diferente, ou ver que existem outras verdades que não a dele. Como é bom, nesse momento, saber calar e ouvir. Como é bom poder compreender e aceitar. Como é bom, após o outro desabafar, conseguir, com o coração cheio de amor, dizer: “eu te entendo”.
Existe melhor caminho para a felicidade?
Um dos piores sentimentos que existem é a raiva. Quando nos sentimos irados despejamos uma carga gigantesca de hormônios no nosso organismo, que nos deixa tensos, com os batimentos cardíacos acelerados, pressão sanguínea aumentada (literalmente a conhecida expressão: “o sangue sobe pra cabeça!”), além de inibir o lado racional do cérebro que nos permite pensar antes de agir.
Mas lidar com a raiva é um processo de paciência e perseverança. Começa em conseguir perceber a posição, os argumentos e as razões do outro. Compreendendo o outro, por mais que ele não tenha razão, paramos para pensar e conseguimos diminuir a intensidade do sentimento.
Depois, temos que aprender – sim! – a contar até dez, vinte, trinta, cem, se preciso. Respirar fundo e nos acalmarmos, antes de dizer algo ou reagir. Isso evita desgastes desnecessários de energia, brigas, discussões, mal entendidos. Dar tempo para a dosagem de hormônios não subir, ou mesmo diminuir, nos dá condições de responder de forma mais racional e moderada.
A raiva não nos ajuda a mudar o modo de pensar do outro, não nos ajuda a “dar uma lição” em ninguém, não permite que argumentemos com lucidez, não funciona nem como vingança. A raiva só atinge a nós mesmos. Só nós saímos do sério, prejudicamos nosso organismo, ficamos magoados. Só nós perdemos.
Uma das parábolas de Jesus, que já virou estória infantil, serve bem como ilustração. Vou contá-la, resumidamente, com minhas palavras: “quando um menino chegou em casa com muita raiva de um amigo da escola e disse para seu pai o quanto estava com ódio, o pai lhe deu um saco de carvão e pediu que atirasse num pano estendido no quintal. Após acabar com todo o carvão, o pai perguntou ao filho se estava mais aliviado. Ele respondeu que sim. Então, o pai pediu que olhasse para o pano à sua frente. O menino notou que não havia acertado todas as pedras no pano e que ele estava apenas um pouco manchado. Depois olhou para si mesmo e percebeu que estava inteiramente enegrecido pelos restos que nele caíam e pela fuligem que se espalhou por todo o seu corpo”. Acho que não preciso explicar a moral da história.
Pensamentos negativos só atraem energias negativas. Raiva só resulta em ressentimento e mágoas. Já o perdão e a compreensão têm como efeito o entendimento, o amor, o crescimento mútuo.
Como é bom, no momento em que a raiva começa a surgir, conseguir olhar para o outro e perceber que ele ainda não consegue agir diferente, ou ver que existem outras verdades que não a dele. Como é bom, nesse momento, saber calar e ouvir. Como é bom poder compreender e aceitar. Como é bom, após o outro desabafar, conseguir, com o coração cheio de amor, dizer: “eu te entendo”.
Existe melhor caminho para a felicidade?
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