Novo lar -
Um dos maiores desejos de todo jovem é se tornar independente, fazer o que quiser, viver no seu próprio tempo, não dar satisfações, se virar sozinho. Essa independência é maravilhosa, mas ela não acontece sem esforços.
Se você se aventura a sair de casa, a primeira dificuldade que vai encontrar é a questão financeira. Os gastos vão desde comprar móveis, louças e eletrodomésticos, a pagar aluguel, água, luz, telefone, alimentação, vestuário. Ter um bom emprego facilita, óbvio. Mas o aprendizado consiste em administrar a receita e cortar alguns dos pequenos prazeres e gastos supérfluos que podem estourar o orçamento.
O segundo problema é emocional. Se, na casa dos pais, você vivia num verdadeiro campo de batalha, estar sozinho vai ser um grande alívio. Mas, se estava acostumado a chegar em casa e ter com quem dividir seu dia-a-dia, ou simplesmente conversar um pouco, a solidão pode acabar pesando.
Uma opção para quem quer liberdade, sem ter esses problemas, é dividir um apartamento com um amigo. As despesas caem pela metade e você continua a ter companhia. Mas é preciso muito cuidado antes de escolher com quem dividir a casa nova, pois algumas diferenças podem aparecer e acabar com a sua tranqüilidade logo no primeiro mês. Por exemplo: o colega resolve atacar a geladeira, acaba com o SEU estoque de comida, e esquece de repor o que utilizou; ou, então, ele larga as roupas e objetos pessoais no meio da sala, em cima da mesa da cozinha, ou até na sua cama; ou esquece de pagar a conta de luz, ou de telefone; isso quando ele não usa o seu shampoo, seu creme de barbear, ou sua escova de dente. Mas a situação pode ser inversa e o folgado ser você. Por isso, é essencial que haja respeito pelas coisas e pelo espaço do outro para que a parceria funcione.
Para quem só precisa driblar a solidão, a saída pode ser fazer logo amizade com os vizinhos, ou arranjar um animal de estimação. Claro que há quem não precise de nada disso e se sinta extremamente bem sozinho, curtindo sua própria companhia. Entretanto, a maioria das pessoas não é assim. Ficar sozinho uma semana é maravilhoso, mas o passar do tempo transforma a tão sonhada liberdade num caminho para a depressão. Ter um canto só seu exige consciência das dificuldades, coragem e segurança. Da mesma forma que conhecer os reais motivos que o levaram a tomar essa decisão é essencial para superar os momentos de tristeza e desesperança.
Mas a independência é ótima. Ela significa crescimento; significa andar com as próprias pernas, correr atrás dos sonhos, ter que lutar para ter o melhor; significa morar num lugar que é a sua cara, que tem o seu cheiro, que reflete a sua personalidade; significa acordar na hora que quiser nos fins de semana, almoçar às três da tarde, ou passar noites ao telefone sem ninguém pra reclamar; significa resolver sozinho os próprios problemas, rir sozinho das próprias cagadas, mas também chorar sozinho no travesseiro; significa fazer as próprias regras, obedecê-las se quiser e modificá-las se preciso; significa responsabilidade, amadurecimento e liberdade.
Lutar para conquistar essa independência é essencial na vida de todo ser humano. É mais um passo em busca da felicidade.
31.1.05
24.1.05
O que vem por aí -
Você já notou que nós vivemos à espera de algo? Seja de uma casa melhor, de um salário melhor, de um parceiro melhor, ou de um mundo melhor, dificilmente estamos satisfeitos com o que temos.
Em determinadas fases, como as de desemprego, de carência afetiva, ou de doenças crônicas, nós temos objetivos, mas não há nada a fazer para alcançá-los. São momentos em que qualquer atitude parece não dar resultado e quando somente a paciência ameniza a situação. Não uma paciência de quem espera sentado que um milagre caia do céu. Mas a de quem luta, que busca todos os recursos ao seu alcance, que procura nos amigos a mão carinhosa e ombro atencioso. Essa é a paciência de quem sabe que está fazendo tudo o que pode, mas que também sabe que há tempo pra tudo na vida.
Há uma situação limite, na qual essa espera se torna pior: a velhice. Depois de ter uma vida ativa, cheia de trabalho e realizações, é difícil parar. A pessoa acorda e não tem nada pra fazer, além de comer, dormir e esperar mais um dia passar. Essa é a pior das esperas, pois você se sente inútil, desacreditado. E, quando o sono não vem, são quase 24 horas apenas pensando. Só que não há mais futuro para planejar. A única esperança é que chegue logo o dia em que tanto sofrimento vai ter fim. A Osteoporose já chegou; um derrame aconteceu. Você não anda mais sozinho; não toma mais banho sozinho. Você depende dos outros pra tudo.
A solidão parece aterradora. A tristeza é lógica. No que se segurar e no que acreditar? Um carinho e um sorriso são lampejos de esperança; uma conversa faz o tempo passar mais rápido; uma bala é um doce alento para tardes amargas. Mas uma mudança interior é necessária. Precisamos manter o coração tranqüilo, cultivar a fé e acabar com os fantasmas das brigas mal resolvidas, da antipatia no trabalho, da palavra que saiu na hora errada, do que podia ter sido feito e não foi, do perdão que nunca foi dado, ou pedido.
Nós não podemos nos esquivar do presente e passar nossos dias a reviver o passado, ou a sonhar com o futuro - temos que agir! Se olharmos à nossa volta, veremos que ainda há muito de bom. Ao invés de ficar desejando o que falta, devemos valorizar o que temos. A vida é feita de ciclos: de altos e baixos, de tempestades e calmarias, de acertos e erros.
Passar por fases difíceis na vida é normal. Ter momentos de solidão, de descrédito e até de achar que não há mais saída é normal. Só não podemos nos desesperar, pois sempre há uma situação melhor à nossa espera. Afinal, nós estamos sempre caminhando rumo à felicidade, seja neste mundo, ou no outro.
Você já notou que nós vivemos à espera de algo? Seja de uma casa melhor, de um salário melhor, de um parceiro melhor, ou de um mundo melhor, dificilmente estamos satisfeitos com o que temos.
Em determinadas fases, como as de desemprego, de carência afetiva, ou de doenças crônicas, nós temos objetivos, mas não há nada a fazer para alcançá-los. São momentos em que qualquer atitude parece não dar resultado e quando somente a paciência ameniza a situação. Não uma paciência de quem espera sentado que um milagre caia do céu. Mas a de quem luta, que busca todos os recursos ao seu alcance, que procura nos amigos a mão carinhosa e ombro atencioso. Essa é a paciência de quem sabe que está fazendo tudo o que pode, mas que também sabe que há tempo pra tudo na vida.
Há uma situação limite, na qual essa espera se torna pior: a velhice. Depois de ter uma vida ativa, cheia de trabalho e realizações, é difícil parar. A pessoa acorda e não tem nada pra fazer, além de comer, dormir e esperar mais um dia passar. Essa é a pior das esperas, pois você se sente inútil, desacreditado. E, quando o sono não vem, são quase 24 horas apenas pensando. Só que não há mais futuro para planejar. A única esperança é que chegue logo o dia em que tanto sofrimento vai ter fim. A Osteoporose já chegou; um derrame aconteceu. Você não anda mais sozinho; não toma mais banho sozinho. Você depende dos outros pra tudo.
A solidão parece aterradora. A tristeza é lógica. No que se segurar e no que acreditar? Um carinho e um sorriso são lampejos de esperança; uma conversa faz o tempo passar mais rápido; uma bala é um doce alento para tardes amargas. Mas uma mudança interior é necessária. Precisamos manter o coração tranqüilo, cultivar a fé e acabar com os fantasmas das brigas mal resolvidas, da antipatia no trabalho, da palavra que saiu na hora errada, do que podia ter sido feito e não foi, do perdão que nunca foi dado, ou pedido.
Nós não podemos nos esquivar do presente e passar nossos dias a reviver o passado, ou a sonhar com o futuro - temos que agir! Se olharmos à nossa volta, veremos que ainda há muito de bom. Ao invés de ficar desejando o que falta, devemos valorizar o que temos. A vida é feita de ciclos: de altos e baixos, de tempestades e calmarias, de acertos e erros.
Passar por fases difíceis na vida é normal. Ter momentos de solidão, de descrédito e até de achar que não há mais saída é normal. Só não podemos nos desesperar, pois sempre há uma situação melhor à nossa espera. Afinal, nós estamos sempre caminhando rumo à felicidade, seja neste mundo, ou no outro.
21.1.05
Memória de elefante? -
Nossa memória é um mecanismo impressionante. Cada momento vivido fica armazenado para sempre em nosso subconsciente. Entretanto, não nos lembramos de todos. Só alguns marcam, só alguns continuam fazendo parte do arsenal de informações que formam os nossos pensamentos diários.
Uma explicação para isso pode ser a intensidade de sentimento que cada momento provoca. Palavras, imagens, gestos, podem tocar nossos corações de um jeito mais profundo e se eternizar em nossas mentes - como o primeiro beijo, o primeiro rompimento, aquele brinquedo especial, a prova que "inexplicavelmente" recebeu nota 10. Mas, às vezes, coisas banais, detalhes até insignificantes, também deixam marcas profundas. Há quem, aos 95 anos de idade, saiba dizer o tipo de prataria usada em cada um dos jantares oferecidos durante toda a vida. Acredite!
Já outros momentos parecem se apagar. Não que eles não existam guardados em algum lugar, mas eles não ficam acessíveis. A regressão é uma terapia que utiliza o relaxamento profundo e a indução como forma de trazer à tona essas lembranças. Especialistas dizem que esse processo ajuda a tirar os bloqueios adquiridos e a aprender a lidar com situações traumáticas, já que, em grande parte, os fatos esquecidos são aqueles que provocaram sentimentos negativos. Casos de pessoas que sofreram violência sexual são uma prova disso. Algumas lembram diariamente do ocorrido, mas muitas esquecem ou distorcem os fatos, numa defesa natural para diminuir o sofrimento. Nós funcionamos assim. Selecionamos, consciente ou inconscientemente, o que queremos, ou não, lembrar. Atribuímos importância, adjetivos e vida própria a cada acontecimento que passamos.
Se compararmos nossas lembranças de um momento da infância com as de um irmão ou de um amigo, elas serão diferentes. Einstein provou com a Teoria da Relatividade que dois momentos podem ser lembrados em ordens inversas por duas pessoas que o vivenciaram juntos. Por exemplo: para um, determinada festa ocorreu antes daquele jogão do Brasil; o outro vai jurar que a festa foi dias depois do jogo. Nossa memória não obedece aos padrões lineares de tempo que Newton definiu no fim do século XVII e início do XVIII. Já em 1905, a Teoria da Relatividade explicava que o espaço não é tridimensional e o tempo não é absoluto. Eles formam um contínuo tetradimensional, o "espaço-tempo". Basta ver que nós vivenciamos o tempo de forma relativa: os momentos agradáveis parecem passar voando, já os tristes parecem durar uma eternidade. Nossa memória funciona dessa forma, armazenando tudo o que acontece conosco como eventos individuais, com sua própria definição de espaço-tempo. A aparente linearidade depende do observador. Assim como a importância de cada fato também.
Saindo da teoria e concluindo, podemos dizer que nossas lembranças definem quem somos. Os amigos que conquistamos, aquilo que aprendemos, o que fizemos, o amor que demos, formam o nosso eu. E é aquilo que está vivo na memória que nos ajuda nessa auto-definição. Aos 80 anos de idade, somos o que podemos contar. Aos 80 anos de idade, somos o que construímos. Não há mais o que fazer, história por criar, sonhos por concretizar. Nossa memória é tudo o que temos.
Talvez por isso devamos pensar bem em cada um dos nossos atos e, se preciso, contar até 100 antes de tomar determinadas atitudes. Parafraseando o conhecido ditado, "digas do que lembras, que eu te direi quem és".
Bibliografia: BRENNAN, Bárbara Ann. Mãos de Luz. São Paulo: Ed. Pensamento, 1987.
Nossa memória é um mecanismo impressionante. Cada momento vivido fica armazenado para sempre em nosso subconsciente. Entretanto, não nos lembramos de todos. Só alguns marcam, só alguns continuam fazendo parte do arsenal de informações que formam os nossos pensamentos diários.
Uma explicação para isso pode ser a intensidade de sentimento que cada momento provoca. Palavras, imagens, gestos, podem tocar nossos corações de um jeito mais profundo e se eternizar em nossas mentes - como o primeiro beijo, o primeiro rompimento, aquele brinquedo especial, a prova que "inexplicavelmente" recebeu nota 10. Mas, às vezes, coisas banais, detalhes até insignificantes, também deixam marcas profundas. Há quem, aos 95 anos de idade, saiba dizer o tipo de prataria usada em cada um dos jantares oferecidos durante toda a vida. Acredite!
Já outros momentos parecem se apagar. Não que eles não existam guardados em algum lugar, mas eles não ficam acessíveis. A regressão é uma terapia que utiliza o relaxamento profundo e a indução como forma de trazer à tona essas lembranças. Especialistas dizem que esse processo ajuda a tirar os bloqueios adquiridos e a aprender a lidar com situações traumáticas, já que, em grande parte, os fatos esquecidos são aqueles que provocaram sentimentos negativos. Casos de pessoas que sofreram violência sexual são uma prova disso. Algumas lembram diariamente do ocorrido, mas muitas esquecem ou distorcem os fatos, numa defesa natural para diminuir o sofrimento. Nós funcionamos assim. Selecionamos, consciente ou inconscientemente, o que queremos, ou não, lembrar. Atribuímos importância, adjetivos e vida própria a cada acontecimento que passamos.
Se compararmos nossas lembranças de um momento da infância com as de um irmão ou de um amigo, elas serão diferentes. Einstein provou com a Teoria da Relatividade que dois momentos podem ser lembrados em ordens inversas por duas pessoas que o vivenciaram juntos. Por exemplo: para um, determinada festa ocorreu antes daquele jogão do Brasil; o outro vai jurar que a festa foi dias depois do jogo. Nossa memória não obedece aos padrões lineares de tempo que Newton definiu no fim do século XVII e início do XVIII. Já em 1905, a Teoria da Relatividade explicava que o espaço não é tridimensional e o tempo não é absoluto. Eles formam um contínuo tetradimensional, o "espaço-tempo". Basta ver que nós vivenciamos o tempo de forma relativa: os momentos agradáveis parecem passar voando, já os tristes parecem durar uma eternidade. Nossa memória funciona dessa forma, armazenando tudo o que acontece conosco como eventos individuais, com sua própria definição de espaço-tempo. A aparente linearidade depende do observador. Assim como a importância de cada fato também.
Saindo da teoria e concluindo, podemos dizer que nossas lembranças definem quem somos. Os amigos que conquistamos, aquilo que aprendemos, o que fizemos, o amor que demos, formam o nosso eu. E é aquilo que está vivo na memória que nos ajuda nessa auto-definição. Aos 80 anos de idade, somos o que podemos contar. Aos 80 anos de idade, somos o que construímos. Não há mais o que fazer, história por criar, sonhos por concretizar. Nossa memória é tudo o que temos.
Talvez por isso devamos pensar bem em cada um dos nossos atos e, se preciso, contar até 100 antes de tomar determinadas atitudes. Parafraseando o conhecido ditado, "digas do que lembras, que eu te direi quem és".
Bibliografia: BRENNAN, Bárbara Ann. Mãos de Luz. São Paulo: Ed. Pensamento, 1987.
Assinar:
Postagens (Atom)