7.8.05

Solidão... Ah! Solidão! -

Você já se sentiu sozinho? Claro. Acho que todo mundo, pelo menos alguma vez na vida, já se sentiu sozinho. Mas tem gente que passa por momentos maiores de solidão. Momentos em que um enorme vazio parece tomar conta do peito e em que a tristeza é inevitável. Os motivos podem ser os mais variados: a perda de alguém, a distância, a inadequação a situações e amizades, ou a falta de um companheiro.

Aí, saber lidar com a solidão é o mais importante. Seja buscar os colegas e amigos; sair da rotina; abrir o coração!

Nenhuma solidão é eterna, afinal, nunca estamos realmente e completamente sozinhos. Vivemos em sociedade e convivemos com dezenas de pessoas diariamente. Claro que, muitas vezes, os colegas de trabalho não vão suprir a solidão, até porque a conversa no trabalho pode ser só sobre trabalho. E talvez nem os amigos resolvam o problema, pois o sentimento que se tem deseja um “algo a mais”, que não pode ser suprido com um bate-papo de bar ou uma simples conversa. Mas essas são situações que ajudam a fugir da solidão, a driblá-la.

Acredito que estar aberto ao mundo, ter objetivos e, o mais importante, ter paciência, são as soluções mais imediatas à solidão. Chorar faz parte. Desejar faz parte. Se isolar (por alguns momentos apenas!) faz parte. Mas o melhor ainda é descobrir que fatos, atitudes, distanciamentos, prioridades, levaram a esta situação de solidão.

Qualquer médico inteligente diz: “não adianta tratar os sintomas, precisamos descobrir as causas”. Acho que neste ponto é que começamos a lidar corretamente com a solidão – descobrindo a sua causa! E, a partir daí, fazer diferente, buscar o que se deixou de lado, ir atrás do que lhe fará feliz.

Eu tenho certeza de que a felicidade depende essencialmente de nós mesmos. Se a solidão é causada pela falta de alguém, podemos ir atrás desse “alguém”, ou então ter paciência e estar pronto para quando ele chegar. E estar pronto significa se amar em primeiro lugar; significa ter expectativas realistas quanto a alguém que realmente vá combinar com você.

Eu acredito que a solidão também seja uma fase de amadurecimento, em que aprendemos a nos valorizar e a compreender e respeitar o outro. Imagine aparecer um verdadeiro príncipe encantado (ou princesa, claro!) e você não estar preparado pra ele? Isso acontece mais do que você imagina. Pessoas maravilhosas cruzam nossos caminhos e as deixamos passar sem nem perceber o que poderíamos ter tido.

É por isso que acredito que a felicidade dependa, em primeiro lugar, de nós. O outro só vai completar e ser mais uma parte de nossas vidas, entre trabalho, religião, família, amigos, lazer. A solidão muitas vezes é uma fase de preparação. No caso de uma perda, ela é uma fase de transformação e aprimoramento. Mas sempre é amadurecimento. Acreditar nisso, faz a dor ser menor; faz termos esperança de que o amanhã será melhor. Ser feliz depende de uma mudança na forma de ver o mundo. Afinal, a felicidade começa dentro de nós mesmos...

4.7.05

É namoro ou amizade? -

Você está no meio de um evento qualquer, começa a conversar com alguém e surge uma inesperada confluência de idéias e uma estranha atração. No momento, você sabe que encontrou alguém especial e que combina com você. Mas como saber até onde levar esse encontro “casual”?

O normal é marcar um segundo encontro. Mas pode ser que a sensação tenha vindo só de um dos lados. Neste caso, acredito que, no máximo, vocês serão amigos. Mas, e se os dois sentirem a mesma coisa? Aí é que surge o problema.

Existem pessoas que combinam em alguns pontos e em outros, não. Pode-se ter assunto por horas, ter uma identificação com atividades em comum, mas no lado íntimo não dar certo. E pode ser ao inverso: um simples toque fazer pegar fogo, mas não se ter nada para conversar ou aprender juntos. De qualquer forma, acredito que só o tempo seja capaz de mostrar o que a relação pode render.

Conhecer o outro, saber como ele age, quais são seus costumes e manias, é que vai mostrar se a relação pode virar um namoro ou ser só uma amizade. Tem quem fale: “se esforça, ignora essa mania dele!”. Desculpe-me, mas eu discordo. Se há esforço, virem amigos. Uma relação de casal só pode dar certo se não houver esforço, se tudo fluir naturalmente.

Luis Carlos Restrepo, em seu livro “O Direito à ternura”, coloca que todo relacionamento se baseia na dependência e na singularidade. Explicando melhor: ele diz que é impossível existir essa tão proclamada independência, pois estar ao lado de alguém, confiar e dividir é, essencialmente, depender; mas, ao mesmo tempo, ele explica a necessidade de se respeitar e manter a singularidade do outro, afinal, foi por ele ser quem ele é, que houve o desejo inicial. Se essas duas coisas, a dependência e a individualidade, conseguirem coexistir, haverá ternura e um relacionamento saudável.

A partir disso, podemos imaginar a dificuldade de se manter um relacionamento estável. Muitos já nascem destinados a serem apenas amizade e outros a irem mais a fundo, já que nem todas as pessoas conseguem depender da outra e não tentar modificá-la ao mesmo tempo.

Saindo do conceitual e voltando à prática, é preciso falar da “química”. Se o beijo não combina, se o tesão não rola, por que insistir e tentar fazer de uma bela amizade um desastroso relacionamento? E se só existe isso, porque tentar fazer de um caso um namoro? Para haver um namoro gostoso, com trocas e prazeres, é preciso haver a amizade e o tesão ao mesmo tempo.

Acho que basta que sejamos sinceros conosco mesmos e percebamos o que o nosso coração nos diz para saber até onde um relacionamento pode e deve ir. Seguindo o coração e havendo respeito, haverá felicidade.


Bibliografia:
Restrepo, Luis Carlos. O Direito à ternura. Petrópolis, RJ – Ed. Vozes, 1998.

20.6.05

Mandar ou liderar -

Muitas pessoas nascem com características de liderança. São os que apresentam os trabalhos na frente da sala no colégio, viram capitães de gincana, organizam festas, até chegarem a cargos de chefia dentro de suas profissões. Ser líder parece ser muito bom. Todos gostam de comandar, mandar. Mas ser um líder é muito mais do que mandar.

Ser líder é compreender todo o funcionamento da estrutura liderada, desde a parte material, execução, pessoas, até as conseqüências de cada ato tomado. Porque ser líder é saber comandar sem dar ordens; é saber organizar sem restringir; é saber decidir sem impor; é saber se colocar no lugar do outro e tratá-lo com como gostaría de ser tratado.

Um bom líder é respeitado sem precisar pedir respeito, porque sua postura e seus atos demonstram seu caráter e sua capacidade – o respeito acontece naturalmente. Um bom líder tem amizade com sua equipe e sabe valorizar o talento e a força de vontade de cada um. Um bom líder acredita e confia que as tarefas designadas serão executadas, pois ele dá a chance do outro mostrar seu valor.

Mas um líder também é um ser humano, também erra e também tem que ser capaz de admitir seus erros com humildade e resignação. A liderança é uma grande tarefa, uma grande alegria, mas também uma enorme responsabilidade.

E o líder não é só o chefe do trabalho. O chefe do lar, o pai ou a mãe, também são líderes.

Conheço líderes carrascos, egocêntricos e orgulhosos. Mas também conheço alguns amigos, companheiros, humildes e iluminados. Pessoas essas capazes de lhe abrir portas e lhe permitir crescer e aprender. Pois um bom líder não só coordena, mas ensina. Seja ele chefe ou pai.

Estar do outro lado, ser o subordinado, muitas vezes não é fácil. É preciso compreender as dificuldades, os encargos e a pressão que o superior sofre. Muitas vezes acontece de ele lhe cobrar algo, ou dizer algo, de uma forma que lhe magoe ou humilhe. Nessas horas é necessário saber percebê-lo como aquele ser humano que erra e saber perdoar. Pois um bom líder também sabe perdoar e dá sempre uma segunda chance.

Na convivência em equipe sempre ocorrem desafetos e desentendimentos, pois as pessoas são diferentes, pensam diferente e agem diferente, seja no escritório ou em casa. Ser líder é saber administrar essas diferenças e fazer do relacionamento em equipe um relacionamento saudável, produtivo e feliz. Por isso, aprender a ser líder é aprender a cultivar a felicidade no ambiente em que se convive. É ser otimista e positivo. Eu acredito que esse é um bom líder.